Setembro começou já provando não ser um mês fácil. Troquei de plantão pra cobrir as férias de uma colega. Continuo no meu setor, mas mudar o plantão faz muita a diferença, não só pelas pessoas com quem você trabalha diretamente, mas indiretamente também. É impossível não sentir falta, por mais que todas as pessoas tenham me recebido muito bem. Além de que cada equipe tem sua forma de trabalhar, e até você ir se ajeitando com todos é complicado. Sei que foi só o primeiro dia, e ainda vamos ter muitos pela frente pra me acostumar, mas nossa, isso da um nervoso. Graças a deus tenho pessoas na equipe com quem já trabalhei e tenho um bom relacionamento, o que torna as coisas um pouco mais fáceis.
E em casa as coisas também não estão lá essas coisas. Tem aqueles dias em que está tudo bem, nada excepcionalmente bom, mas nada de ruim também e ai uma palavra muda tudo. Minha tia do nada resolve dar a louca e dizer pra terceiros que ela está sozinha e que se fosse na época do marido dela as coisas não seriam assim. Nossa, isso machuca muito sabe? Sei que não sou perfeita, mas estou fazendo o possivel pra cuidar bem dela. Eu não a deixo sozinha, quando estou em casa fico sempre com ela, faço almoço, lanche, e quando não estou em casa eu pago uma moça pra ficar com ela! Mas ela prefere acreditar que eu deixo ela sozinha, não cuido. Eu não tenho culpa se a fratura dela foi complicada e a solução seria cirúrgica. Ela tem 83 anos e ninguém vai operar ela assim. Ela se recusa mexer a mão porque dói, mesmo eu explicando vinte vezes que só vai melhorar com o tempo, e que a recusa dela em movimentar vai piorar e causar mais demora na recuperação. Ela prefere acreditar que não cuido dela. Sei que o problema da memória também agrava um pouco as coisas, mas eu esperava ao menos um pouquinho de agradecimento. Por mais que eu explique logo depois ela esquece e diz que não falei nada.
Eu sei que ela dedicou grande parte da vida dela pra cuidar de mim, e não faço mais do que minha obrigação de cuidar dela também, mas é puxado. Ela começou a cuidar de mim quando tinha 60 anos, já tinha vivido as coisas que ela queria. Eu estou me privando de várias coisas pra poder cuidar dela (sei que reclamo, mas faço). Ela parece que não nota, ou talvez não note mesmo....